Chefes de Estado, ministros, cientistas, ativistas e empresas passarão dias imersos COP30 em debates que podem definir novos acordos globais – como o Protocolo de Kyoto (1997) ou o Acordo de Paris (2015). Veja como funciona, na prática, um evento dessa dimensão
Todo ano, líderes do mundo inteiro se reúnem para negociar o futuro do clima do planeta. Essas reuniões são as chamadas COPs – Conferências das Partes, organizadas pela ONU no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). A COP 30 será no Brasil e está marcada para acontecer entre 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém (PA). Mas afinal, como as COPs funcionam? Confira nesse artigo tudo o que compõem a conferência.
A sede da COP muda todos os anos. O país anfitrião é escolhido por rotação entre cinco grupos regionais da ONU (América Latina e Caribe, Europa, África, Ásia-Pacífico e Europa Ocidental + outros). Quando aceita sediar, a nação escolhida assume também a presidência da COP, com a tarefa de preparar a infraestrutura, receber milhares de delegados e, principalmente, liderar as negociações até um consenso. Já o secretariado da UNFCCC garante que as regras sejam cumpridas e cuida de toda a logística oficial: credenciamento, tradução simultânea, agenda e relatórios.
COP30: os bastidores das negociações
Uma COP começa antes mesmo da abertura oficial. Nas semanas que antecedem o evento, acontecem as chamadas pré-sessões técnicas, ou seja, reuniões dos órgãos subsidiários da UNFCCC (SBSTA e SBI) que definem os pontos que irão à mesa. O que são SBSTA e SBI? – SBSTA significa “Subsidiary Body for Scientific and Technological Advice” (Órgão Subsidiário de Aconselhamento Científico e Tecnológico) e é um dos dois órgãos permanentes criados pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). O outro órgão é o SBI (Subsidiary Body for Implementation), que fornece à Conferência das Partes (COP) avaliações científicas e tecnológicas e aconselhamento sobre as mudanças climáticas, além de auxiliar na implementação da convenção.
Durante os primeiros dias, é feita a abertura formal, quando os delegados apresentam suas credenciais e elegem oficialmente a presidência. Esse é também o momento de acertar a chamada agenda final, que pode ser bem longa e inclui negociações sobre financiamento climático, transição energética, justiça climática, agricultura, direitos humanos e metas de emissões se estendem em dezenas de salas ao mesmo tempo.
No meio da programação, acontece o chamado segmento de alto nível, quando chefes de Estado e ministros anunciam compromissos e, muitas vezes, dão o tom político que influencia as negociações técnicas. O encerramento costuma ser marcado pela leitura das decisões finais, que precisam ser tomadas por consenso e, não raro, tendem a gerar polêmica.
COP30: blue zone e green zone
A COP30, a exemplo de todas as COPs, se divide em duas zonas principais, com objetivos e públicos diferentes. A primeira, chamada Blue Zone, é o coração da COP. Ou seja, é a área oficial, controlada pela ONU. Só entram aqui delegados credenciados, observadores autorizados e imprensa internacional. É onde também acontecem as plenárias, as negociações formais e os pavilhões nacionais.
A segunda é a Green Zone, considerada uma vitrine para o mundo, já que é aberta ao público e é organizada pelo país-sede – no caso da COP30, pelo Brasil. A Green Zone reúne ONGs, universidades, empresas, artistas e movimentos sociais. É um espaço mais interativo, com exposições, workshops, debates e apresentações culturais. Alguns especialistas dizem que, enquanto na Blue Zone se fecham acordos, é na Green Zone que acontece o engajamento da sociedade.
Um dia típico de COP
O dia começa cedo, geralmente às 8h, com reuniões técnicas e negociações fechadas. À tarde, os corredores fervilham com chamados side-events e as apresentações nos pavilhões nacionais, tanto na Blue quanto na Green Zone.
No fim do dia, os jornalistas correm para coletivas de imprensa, enquanto delegações se reúnem em encontros paralelos, onde são tomadas as decisões e que acontecem longe das câmeras. À noite, é comum que os negociadores virem a madrugada tentando fechar textos de decisão.
O que mais importa na COP30?
As COPs são o principal espaço de governança climática internacional. É ali que países revisam suas metas de corte de emissões, decidem sobre financiamento climático e criam regras que impactam governos, empresas e nós, os cidadãos comuns. Os acordos podem parecer distantes, mas têm impacto direto no dia a dia, ou seja, influenciam desde políticas públicas e investimentos em energia limpa até a forma como as cidades se preparam para eventos extremos.
Fontes:
UNFCCC – Organização de uma COP
UNFCCC – Guia de participação e credenciamento
Portal COP30 Brasil – FAQ

